sexta-feira, 17 de junho de 2016

Obra: O Mal Estar na Civilização.


 



O Mal Estar na Civilização - Síntese.

Alis Tatiana Minervino. 


Esta trata-se de uma concepção sobre os processos contidos no livro O Mal Estar na Civilização de Sigmund Freud. O estudo pretende assim ser um contributivo para agregar conhecimentos e tentadesvendar alguns questionamentos que cercam esse assunto. 

Neste Sigmund Freud interpela, analisa novas e antigas questões. Definindo civilização como tudo que difere o homem da vida animal, que o afasta de sua natureza, ou seja, civilização  abrangeria o controle do homem perante a natureza, como conjunto de regulamentos que regrem os relacionamentos humanos. 

 O principal problema abordado por Freud nesta Obra é  indagar, como a civilização não consegue atingir a felicidade. Embora o desenvolvimento da humanidade seja "congruente", ele ainda tem vícios que o impedem de percorrerem o caminho em direção à felicidade.  


A resposta freudiana caminha no sentido de indicar três fontes causadoras do nosso sofrimento: 1) o poder superior da natureza, 2) a fragilidade de nossos próprios . corpos e 3) a inadequação das regras que procuram ajustar os relacionamentos mútuos dos  seres humanos na família, no Estado e na sociedade. Para as duas primeiras fontes, a explicação é de que: “nunca dominaremos completamente a natureza e o nosso organismo corporal, ele mesmo parte desta natureza, permanecerá como uma estrutura passageira, com  limitada capacidade de adaptação e realização”.  (Trecho livro O Mal Estar na Civilização, Sigmund Freud. páginas 43.) 


A discussão caracteriza-se por uma ampla utilização dos conceitos de ego, libido, narcisismo, neurose, psicoses, sadismo e outros que  se  entrelaçam. Trilhando o caminho da psicanálise, Freud estabelece  ao especifica-los uma hierarquia temporal. A natureza humana, o comportamento, o corpo, a mente são seus principais objetos e por consequência as relações humanas na sociedade. 

 Sua finalidade não intenciona à análise pura e simples do indivíduo, mas deste sujeito inserido. Influenciando e sendo influenciado, nesta sociedade. E traz como um fator determinante nesta construção o histórico  familiar do homem primitivo até chegar a nossa civilização. Que deve continuar evoluindo para que um dia  as leis sejam feitas por todos. E para todos na busca da felicidade. 

 Este seguimento é uma ideia que percorre toda a obra. Sendo o termo civilização entendido como progresso. Esta tenciona regular o impulso social, sendo construída sobre uma renúncia aos instintos poderosos. Ela pressupõe exatamente a não satisfação pela opressão destes instintos. 

O problema da natureza humana, segundo Freud é a agressividade. Em sua pesquisa ele percebeu que existe uma inclinação para a agressão nos homens. Fator que perturba o relacionamento entre eles, mas não apenas é necessário entender o seu funcionamento. No processo "civilizador" em curso a inclinação para a agressão, como uma disposição instintiva original do homem, serve como impedimento à civilização, escreveu Freud. .  


Para responder ele utilizará os conceitos de ego, superego e de sentimento de culpa, vejamos: a agressividade do indivíduo é “introjetada, internalizada; ela é, na realidade, enviada de volta para o lugar de onde proveio, isto é, dirigido no sentido de seu próprio ego.  Aí, é assumida por uma parte do ego, que se coloca contra o resto de ego, como superego, e que então, sob a forma de „consciência‟, está pronta para pôr em ação contra o ego a mesma agressividade rude que o ego teria gostado de satisfazer sobre outros indivíduos, a ele estranhos. A tensão entre o severo superego e o ego, que a ele se acha sujeito, é por nós chamada de sentimento de culpa; expressa-se como uma necessidade de punição.” (Trecho livro O Mal Estar na Civilização, Sigmund Freud. páginas 84/85)  


Consequentemente a linha de  raciocínio seguida por Freud, entende que a civilização consegue dominar o perigoso desejo de agressão do indivíduo, enfraquecendo-o, desarmando-o e estabelecendo no seu interior um agente para cuidar dele. Trata-se do sentimento de culpa que Freud atribui a duas origens: A que sobrevém das construções vinculares do superego do sujeito e aquela que surge do temor a uma  autoridade.  

Assim percebe-se que as tentações instintivas são simplesmente aumentadas pela frustração constante, quando o superego atormenta o ego ao passo que a sua satisfação ocasional as faz diminuir ao menos por algum tempo. 

Quando Freud fala em civilização, ele tem em mente como primeira exigência para mesma, a ideia de justiça, ou seja, a garantia de que uma lei, uma vez criada, não será violada em favor de um indivíduo. Conforme menciona: 


Neste sentido, propõe Freud como resultado final do processo civilizatório a criação de um estatuto legal para o qual todos contribuam com um sacrifício de seus  instintos e que não deixe ninguém  a mercê da força bruta, exceto os incapazes de ingressar numa comunidade. (Trecho livro O Mal Estar na Civilização, Sigmund Freud. páginas 54.) 


  relação  entre civilização e sentimento de culpa é estreita. Só e possível alcançar os objetivos civilizacionais, mantendo os indivíduos ligados através do fortalecimento  deste sentimento. Desenvolvendo um super ego cuja influência produz a evolução cultural. Como descrito no trecho abaixo: 


Neste sentido, um extremo condena o indivíduo a ser exposto a perigos, que surgem caso uma técnica de viver, escolhida como exclusiva, se mostre inadequada. Contudo, o êxito dependerá fundamentalmente da capacidade da constituição psíquica em adaptar sua função ao meio ambiente e então explorar esse ambiente em vista de obter um rendimento de prazer.”  (Trecho livro O Mal Estar na Civilização, Sigmund Freud. página 41.) 


Uma observação sobre a reflexão de Freud:  

É  necessário  refletirmos sobre meios que viabilize esta  busca incondicional do homem por por um universo mais integro. Diante de tanto sofrimento, talvez a resposta que Freud dá aos seus pacientes em relação à pergunta sobre como poderá ajudá-los com a análise, esclarece o que a psicanálise pode fazer aos homens, além de tê-los esclarecido sobre a possibilidade real de serem "felizes":  



Sem dúvida o destino acharia mais fácil do que eu aliviá-lo de sua doença. Mas você poderá convencer-se de que haverá muito a ganhar se conseguirmos transformar seu sofrimento histérico numa infelicidade comum. Com uma vida mental restituída à saúde, você estará mais bem armado contra essa infelicidade. (Trecho livro O Mal Estar na Civilização, Sigmund Freud. página 48.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Antes de “curar” alguém, pergunte se ele está disposto a desistir das coisas que o deixaram doente".

Mudanças exigem decisões difíceis, porém necessárias. Há situações que o sujeito demanda maior tempo até perceber o seu padecimento psíquico...