sexta-feira, 9 de abril de 2021
domingo, 18 de março de 2018
Desenvolvimento Psicossexual - Segundo Freud.
Desenvolvimento Psicossexual - Fases
Por: Alis Minervino.
O
estudo tem por objetivo, discorrer de forma lacônica sobre as fases do Desenvolvimento
Psicossexual – Segundo Freud. Este é um
tema que desafia especialistas. Enumeras são as produções que visam trazer uma
compreensão correlacionada ao curso do tema.
Cada uma com peculiaridades próprias.
Freud
após pesquisas e análises conclui que os comportamentos são defensivos e
incitados por impulsos do ID, enquanto o EGO e o SUPEREGO, são constituídos por
experiências relacionais e objetais na infância. Isto nos diferencia uns dos
outros e nos torna seres impares, visto que, é impossível um ser, sendo ele
único viver experiências iguais a vida de outro ser. Conceito de ID, EGO,
SUPEREGO partir de Freud (1940, livro 7, pp. 17-18).
“O Id
contém tudo o que é herdado, que se acha presente no nascimento e está presente
na constituição, acima de tudo os instintos que se originam da organização
somática e encontram expressão psíquica sob formas que nos são desconhecidas. O
Id é a estrutura da personalidade original, básica e central do ser humano,
exposta tanto às exigências somáticas do corpo às exigências do ego e do
superego. O Id seria o reservatório de energia de toda a personalidade.” “O Ego
é a parte do aparelho psíquico que está em contato com a realidade externa. O
Ego se desenvolve a partir do Id, à medida que a pessoa vai tomando consciência
de sua própria identidade, vai aprendendo a aplacar as constantes exigências do
Id. Como a casca de uma árvore, o Ego protege o Id, mas extrai dele a energia
suficiente para suas realizações. Ele tem a tarefa de garantir a saúde,
segurança e sanidade da personalidade. Uma das características principais do
Ego é estabelecer a conexão entre a percepção sensorial e a ação muscular, ou
seja, comandar o movimento voluntário. Ele tem a tarefa de auto-preservação. o
ego é originalmente criado pelo Id na tentativa de melhor enfrentar as
necessidades de reduzir a tensão e aumentar o prazer. O Ego tem de controlar ou
regular os impulsos do Id, de modo que a pessoa possa buscar soluções mais
adequadas, ainda que menos imediatas e mais realistas. Esta última estrutura da
personalidade se desenvolve a partir do Ego.
O
Superego atua como um juiz ou censor sobre as atividades e pensamentos do Ego,
é o depósito dos códigos morais, modelos de conduta e dos parâmetros que
constituem as inibições da personalidade. Freud descreve três funções do
Superego: consciência, auto-observação e formação de ideais. Enquanto
consciência pessoal, o Superego age tanto para restringir, proibir ou julgar a
atividade consciente, porém, ele também pode agir inconscientemente. As
restrições inconscientes são indiretas e podem aparecer sob a forma de
compulsões ou proibições. O id é inteiramente inconsciente, o ego e o superego
o são em parte. "Grande parte do ego e do superego pode permanecer
inconsciente e é normalmente inconsciente. Isto é, a pessoa nada sabe dos
conteúdos dos mesmos e é necessário despender esforços para torná-los
conscientes" ( FREUD, 1933, livro 28, p. 88-89
O Pai
da Psicanalise destaca-se como um dos mais influente teórico dos últimos dois
séculos. Suas radicais abordagens sobre os diversos conteúdos, como a
sexualidade e o inconsciente, impulsionaram o meio tradicionalista da sociedade
no final séc. XX. Momento o qual a figura representativa da criança era vislumbrada
como ser imaculado e puro, ou seja, um ser não sexual. Sigmund afirma com base
em estudos e pesquisas que a sexualidade evolui na criança através de estágios
ou etapas de desenvolvimento, dividindo-as em fases: Fase oral, fase anal, fase
fálica, período de latência e fase genital. A frente decorrei sobre estes estágios de
forma sucinta
.
A fase oral
primeiro estágio do desenvolvimento, ocorre do nascimento aos 18 meses, zona
erógena a região bocal. O eixo de gratificação libidinal advém do prazer gerado
ao alimentar-se no seio materno, o sugar, o morder (posterior), o engolir e da
exploração do seu ambiente (objetos conduzidos a boca).
Toda esta demanda provém do ID, integrando-o como instancia predominante,
visto que o EGO e SUPEREGO não estão desenvolvidos integralmente nesta fase. Apenas
o EGO ainda de modo primitivo, inicia seu desenvolvimento neste estágio. Se não
há formação de identidade, as ações da criança irão basear-se no princípio de
prazer. Conforme descrito no texto a seguir
...”o ego infantil está se
formando durante o estágio oral; dois fatores contribuem para sua formação: (i)
no desenvolvimento de uma imagem de corpo, a criança é discreta do mundo
externo; por exemplo, a criança compreende a dor quando é aplicada ao seu
corpo, identificando, assim, os limites físicos entre seu corpo e meio
ambiente; (ii) experimentar uma gratificação atrasada leva à compreensão de que
comportamentos específicos satisfazem algumas necessidades, como por exemplo
chorar gratifica certas necessidades.”https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_psicossexual#Fase_oral
Os
objetos predominantes são os seios e seus sucedâneos, como (chupetas, dedos,
sugadores e alimentos). Fase caracterizada por urgência das necessidades,
dependência total, baixa tolerância a frustração e a ansiedade de separação.
Momento que inicia-se também a apreensão do mundo em volta, como bom ou mal,
representação de perigo ou segurança, sentimento de satisfação ou frustração. O
que é apreciado ou não, vincula-se ao anseio de leva-lo a boca.
Este
período divide-se em dois tipos de comportamento: O oral incorporativo
(ingerir) e o comportamento agressivo ou sádico (morder ou cuspir), que observa-se
na eflorescência do surgir das primeiras dentições.
Teóricos
definem que a libido se mantém em alguns de nós, como fixação. O próprio Freud
chegou a pontuar que toda a neurose e disfunção mental em adultos derivam da
“fixação” em uma das fases. Observados em fumantes, declamadores (pessoas falam
demasiadamente), no sexo oral, roer unhas, hábito de levar objetos a boca
(canetas, palito) ou consumir gomas de mascar, balas entre outros.
Observa-se que o
crescimento físico acontece de modo constante. Enquanto o desenvolvimento da
psique alterna momentos de stress e ansiedade. Quando estas mudanças oscilam
descomedidamente produzem mais ansiedade e pode ocasionar uma permanência no estágio
de desenvolvimento presente, como estratégia de defesa do EGO. Esta defesa
denominamos “Fixação.” Ou seja, fixação seria o apego da libido a um estágio
inicial/primitivo de desenvolvimento. Conforme citado na teoria da
personalidade, Fadigman, James Frager, Robert.
...” Conforme a criança
cresce, outras áreas do corpo desenvolvem-se e tornam-se importantes regiões de
gratificação. Entretanto, alguma energia é permanentemente fixada ou catexizada
nos meios de gratificação oral. Em adultos, existem muitos hábitos orais bem
desenvolvidos e um interesse contínuo em manter prazeres orais. Comer chupar,
morder, lamber ou beijar com estalo, são expressões físicas destes interesses.
Pessoas que mordicam constantemente, fumantes e os que costumam comer demais
podem ser pessoas parcialmente fixadas na fase oral, pessoas cuja maturação
psicológica pode não ter se completado. A fase oral tardia, depois do
aparecimento dos dentes, inclui a gratificação dos instintos agressivos. Morder
o seio, que causa dor à mãe e leva a um retraimento do seio, é um exemplo deste
tipo de comportamento. O sarcasmo do adulto, o arrancar o alimento de alguém, a
fofoca, têm sido descritos como relacionados a esta fase do desenvolvimento. A
retenção de algum interesse em prazeres orais é normal. Este interesse só pode
ser encarado como patológico se for o modo dominante de gratificação, isto é,
se uma pessoa for excessivamente dependente de hábitos orais para aliviar a
ansiedade.” Fonte:"Teorias da Personalidade".Fadigman,
James Frager, Robert.http://www.psiquiatriageral.com.br/psicoterapia/freud4.htm
Fase anal
segundo estágio do desenvolvimento, ocorre entre os 18 à 36 meses (1 à 3 anos).
Zona erógena é a região anal. Período em que a criança aprende a controlar os esfíncteres
e lidar com a frustração de não poder suprimir a suas necessidades de forma
imediata. As técnicas utilizadas para apreender esta insatisfação, se
inadequadas podem influir no desenvolvimento de uma personalidade anal agressivo
hostil e sádico na vida adulta, como acessos de raivas, destrutividade ou
uma personalidade retentora, teimosa, mesquinha, compulsivamente limpa, rígida
entre outros.
A criança
retém as fezes em troca de ganhos secundários, elogio ou recompensa dos pais. No
entanto o ato manipulador pode ocorre também no sentido inverso, tencionando “destruir”
seu progenitor. Vale ressaltar que são ações de ordem do inconsciente.
O
estimulo a práticas higiênicas contribui também para formação desta
personalidade. Ou seja, o “interferir” na satisfação gerada com a ação deste impulso
instintivo e característico do estágio que é o prazer erótico da evacuação.
Vale registrar que o contato com substancias de consistência similares a
excreção como massa de modelagem, plasticina, barro, argila entre outros são
estímulos.
Esta é
a fase da absorção de normas sociais, neste estágio a criança absorve de seus
vínculos compreensões sobre diferenças entre; certo/errado, limpo/sujo,
bom/mal... Momento em que a criança se percebe em maio a tabus e restrições,
com relação a temas que envolvem sua genitália ou sexualidade.
Quando os mecanismos
utilizados na orientação da criança com relação aos impulsos biológicos são
rígidos, severos, repressores, podem desencadear uma reação de retenção
(fezes), como mencionado acima. Se esta reação ocorre de forma simbólica difundindo-se
a outros comportamentos, a criança desenvolverá, segundo Freud, um carácter
anal-retentivo. Sigmund destaca-se entre os estudiosos ao afirmar que o caráter
e seus desdobramentos poderiam ser evidenciados como transmutações permanentes
dos impulsos primitivos infantis. Conforme descrito por Rodrigues:
...A criança pode reagir às excessivas exigências
de uma outra forma: em vez de reter as fezes e de infligir sofrimento a si
própria, revolta-se contra a dureza e repressão do treino, expelindo-as nos
momentos menos apropriados. Freud fala, neste caso, por generalização
simbólica, de carácter expulsivo anal - protótipo de todos os traços expulsivos
da personalidade: crueldade, assombros de fúria, irritabilidade, sadismo,
tendências violentas e destrutivas e também desorganização. Fonte:
Psicologia, Luis Rogrigues, Plátano Editora [Modificado]
A
criança que evoluciona de forma inadequada ou ineficaz desencadeara conflitos
no decorrer de sua vida, em termos psicológicos fixação na fase. Freud aponta
como três características principais no caráter anal; ordem,
parcimônia (economia).
Alguns
comportamentos expressos pelo adulto como avareza, interesse por colecionar ou
acumular objetos, economia, encontram neste o seu padrão. Inconscientemente
agrupa-se no folclore diversos termos correlacionados a identidade da dejeção
como; “ podre de rico”, “lambuzento de dinheiro”, “o dinheiro fede”, cheiro de
dinheiro entre outros.
Fase Fálica,
Freud define-a como a de maior importância e acontece entre os quatro e seis
anos, variando entre teóricos. Zona erógena principal pênis ou clitóris. Etapa que
marca o início da chegada do nível Edipiano, da libido e do SUPEREGO ao
desenvolvimento. Neste os vínculos relacionais constituem maior complexidade comparados
aos estabelecidos no passado. Enfatiza-se as relações triangulares, observa-se
a presença de comportamento narcísico, exibicionista e curioso. Contraposto é
também um período de conflitos, pensamentos incestuosos, masturbação e
fantasias, onde o real e o moral divergem com o ID.
Tem o
foco direcionado a região genital, onde o pênis é o objeto de maior interesse
entre ambos os sexos, constituindo na criança o pensamento que ambos os gêneros
possuem pênis. Se questionados quanto as diferenças, desenvolvem teorias infantis
a exemplo do “Complexo de Castração”, no qual a criança deduz que meninas não
portam pênis em função de tê-lo sido arrancado. É natural nas meninas um
sentimento de incompletude e inveja do pênis.
Segundo
Freud na fase fálica ocorre o que ele definiu como o Complexo de Édipo, desejo
inconsciente dos meninos pela figura materna e o Complexo de Electra desejo
inconsciente da menina pela figura paterna. Fato que desencadeia em ambos a
cobiça por substituir ou destruir o consorte do seu objeto de amor, avaliando-o
como adversário ou oponente.
O
complexo de Édipo traz em seu contexto uma multifuncionalidade própria,
manifesta-se nos meninos como angustia pela possibilidade da castração. O pavor
que o pênis seja cortado, levando-o a reprimir o desejo sexual pela mãe. Com
intento de minimizar seu conflito interno, cria uma identificação com o pai,
assumindo para si comportamentos e atitudes do vínculo paterno momento de
instauração do SUPEREGO.
O
complexo de Electra desponta na menina com a descoberta que apenas o menino tem
pênis, enquanto que ela não o possui. Imputando culpa a sua mãe, destitui parte
deste amor materno. Contraposto, oferta todo sentimento ao pai, em função da
inveja que nutre “daquele que detém o falo.” Fato que equipara-se a angustia da
castração. No entanto, não há narrativas Freudianas ou escritos na literatura
que justifique ou explique a identificação da menina com a mãe e o restringir
do amor ofertado a figura do pai, assim como ocorre inverso no Complexo de
Édipo.
Trata-se
de uma importante fase visto que, define atitudes e relações concernente ao
sexo oposto na fase adulta. A suplantação do édipo não restringe-se apenas a
postura familiar ou dos pais, mas simultaneamente ao êxito da criança ao
preenche-lo. Sendo recalcado ou apenas reprimido poderá manifestar-se no futuro
patologicamente. O SUPEREGO é o legatário dos desígnios e limitações postas
pelos pais.
A
fixação nesta fase tem suas bases nos conflitos e agruras edipianos. No homem pode
desenvolver personalidades ou comportamentos paradoxais numa tentativa de
demonstrar que não foram castrados. Envolvendo-se e seduzindo inúmeras mulheres
as tantas possíveis, concebendo filhos aleatoriamente ou como afirmação
figurativa da masculinidade, conquistando alavancado sucesso profissional.
Podem também fracassar na vida profissional e sexual em função do nutrir sentimentos
de culpa recalcados por posicionar-se rivalizando com o pai pelo amor da mãe. Desenvolvem relacionamentos objetivando
encontrar a imagem materna, ato que promove a nível de futuro significante
perturbação nos relacionais.
Na
mulher está perturbação apresenta-se de modo especifico em relação a figura
masculina, revela uma postura sedutora a qual subtende-se a negação de contatos
sexuais (sedução retraimento). Esta postura inconscientemente, revela
peculiaridades advindas da relação estabelecida com pai. Um jogo de atração e
recalcamento do desejo. Sendo este o modelo transmitido para futuras
experiencias afetivas. O homem fantasiado como tipo ideal, passa a ser modelado
segundo a imagem paterna. A fixação acentuada por essa imagem, somados a
tenacidade do desprezo pela mãe, segundo especialistas podem desencadear
disfunções psíquicas, como o desejo de morfologicamente parecer como pai
desprezando sua anatomia feminina.
Período latente; tem
inicio aos cinco anos e segue até o
período da puberdade, por volta dos dez anos. Freud não o conceitua como fase
do desenvolvimento psicossexual, analisando os instintos sexuais percebeu-se
que os mesmos se mantem em repouso e sublimados; em práticas esportivas,
amizades com pessoas do mesmo sexo, hobbes entre outros. Etapa em que o SUPEREGO é mais sistematizado
em consequência da convivência e absorção das normas sociais, momento de
composição dos sistemas de valores, onde a criança é mais maleável, flexível,
comunicativa e autoconfiante.
As
fantasias e impulsos de ordem sexual são substituídos pelo desenvolvimento
cognitivo, com a “suplantação ou interrupção” do Complexo de Édipo e de
Electra. É importante ressaltar que latência é definido como estado do que se
acha encoberto, incógnito, não-manifesto, adormecido, digo seria o tempo entre
o estímulo e a reação do indivíduo.
Vale notabilizar que
o EGO e SUPEREGO permanecem em processo de maturação neste ciclo, os impulsos e
desejos sexuais não são atendidos, estes serão recalcados e exprimido na fase
subsequente. Freud afirma que o período de latência se prolonga até a puberdade:
Durante ele a sexualidade
normalmente não avança mais, pelo contrário, os anseios sexuais diminuem de
vigor e são abandonadas e esquecidas muitas coisas que a criança fazia e
conhecia. Nesse período da vida, depois que a primeira eflorescência da sexualidade
feneceu, surgem atitudes do ego como vergonha, repulsa e moralidade, que estão
destinadas a fazer frente à tempestade ulterior da puberdade e a alicerçar o
caminho dos desejos sexuais que se vão despertando. FREUD, 1926, livro XXV, p.
128..
Com
relação a possíveis pontos de fixação neste período, não foram encontrados,
observados ou relatados tipo especifico ou não especifico.
Fase genital; última
das fases, marca o início da puberdade e o retorno as pulsões sexuais. Regresso
da libido a zona genital, acontece em função do interesse por estabelecer
relações amorosas e procriar. O que foi vivenciado preliminarmente em antigos
estágios definirão as diversas áreas e predileções futuras da vida. Inclusive a
preferência ou escolhas dos pares, de acordo com Sigmund. Os conflitos, crises
e situações mal elaboradas em etapas regressa emergirão na fase genital, no
entanto se o processo estabeleceu-se favoravelmente o sujeito poderá evolver
para um indivíduo mais “equilibrado.”
Um
significativo acontecimento é a maturação fisiológica dos sistemas hormonais,
que resultam na intensificação dos impulsos, em especial os impulsos sexuais.
Exigindo um manejo maior no controle psicológico sobre as pressões provenientes
destes impulsos. Neste ciclo se estabelece um movimento de vida com maior independência,
devido a cisão emocional com os vínculos paterno/materno.
Observou-se
também alguns dos sentidos mais acentuados, um destes é a visão ou olhar. O
despertar pelo desejo de mostrar sua genitália e observar os órgãos genitais do
outro. Este ato curioso e de exibição estende-se a outras regiões e funções
corpóreas.
Com
relação a possíveis pontos de fixação neste período, não foram encontrados,
observados ou relatados tipo especifico. Porém Freud sugeriu que a fixação
genital era realmente o que as pessoas deveriam estar se esforçando para
conseguir. Tornando-se fixada nesta fase, a pessoa está pronta para um
relacionamento duradouro, amoroso, sexual e formando fortes ligações com
parceiros românticos.
Esta prossecução
de etapas que se desenvolve naturalmente na infância denomina-se manifestações
do impulso sexual.
Conclui-se
na afirmação Freudiana que a personalidade, o caráter e a formação das neuroses
floresce na infância, sendo os pais em maior escala influenciadores. Estas
serão solidificadas e ajustadas por volta do quinto ano de vida. Ele esclarece
que a conflagração
sexual infantil movimenta-se em derredor de territórios particulares, cada área
do corpo compromete-se em maior escala com núcleo do confronto em variáveis
idade. De acordo com a menção abaixo:
Em seu livro de 1905, Três
Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, Freud teorizou que algumas pessoas podem
desenvolver fixação psicológica devido uma ou mais das seguinte causas: Falta
de gratificação adequada durante uma das fases do desenvolvimento psicossexual.
Receber uma forte impressão de um desses estágios, caso em que a personalidade
da pessoa iria refletir essa fase ao longo da vida adulta. (Ele também afirmava
que "essas primeiras impressões da vida sexual são caracterizadas por um
aumento da obstinação ou susceptibilidade à fixação de pessoas que mais tarde
tornam-se neuróticas ou pervertidas")
https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_psicossexual#Fase_anal
Em resultado
a esta observação Sigmund engendrou a teoria dos estágios psicossexuais do
desenvolvimento, conceituando-os por regiões erógena do corpo e os conflitos
por fase de desenvolvimento. Insatisfações ou aprazimentos podem produzir uma
interrupção transitório ou definitiva no desenvolvimento, podendo o sujeito
fixar-se em um dos ciclos evolutivos da personalidade, estabelecendo o que
Freud cognomina Fixação.
Dona Hermínia - Terapia Completo (Analise)
. Publicado em 28 de abr de 2015.
BALLONE
GJ - Alfred Adler, in. PsiqWeb, internet, disponível em
http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2005
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SITE:http://sebentafilosofica.blogspot.com.br/2011/10/tracos-adultos-associados-fixacoes-num.htm
SITE: https://pt.wikipedia.org/wiki/Fixa%C3%A7%C3%A3o_oral
SITE: https://psicanaliseclinica.com/fases-da-sexualidade/
SITE: http://www.redepsi.com.br/2008/03/18/fase-anal/
SITE:https://pt.wikipedia.org/wiki/Desenvolvimento_psicossexual#Fase_anal
sábado, 11 de março de 2017
Psicanalise das Pulsões: O Sujeito e o Ecossistema.
O estudo pretende assim ser um contributivo para a evolução do
conhecimento e tenta desvendar alguns
questionamentos que cercam esse assunto. Tais como: A tendência
dos seres humanos para a destruição é proporcional à sua inclinação para viver?
Quais seriam as raízes desta força destrutiva? Seria está uma tendência adotada
coletivamente ou há divergências? Teria
um caráter primário ou secundário? É próprio do ser humano ou foi assimilado?
Freud mestre da psicanálise, pensou o aparelho
psíquico como um espaço virtual, o qual integra forças inconscientes internas
que se opõem umas as outras. Definindo-os a princípio como instintos de vida ou
Eros e instinto Morte ou Thanatos.
Integram-se ao Eros os instintos sexuais e de autopreservação
tencionando a obtenção de prazer. Exemplos disso é o gáudio proporcionado ao alimentar-se,
defecar, transar, beber, estar higienizado, beijos, carícias, sonhar entre outros.
A psique segundo Freud é projetada para evitar a dor e buscar o prazer, de modo
a atingir a homeostase ou equilíbrio entre corpo e mente). Observados como
forças biológicas interna que nos leva a reproduzir e sobreviver.
Enquanto que a pulsão de morte, também chamado
por Freud de tendência destrutiva é nutrida pela necessidade por repetir
situações dolorosas.
Sendo
está avaliada como uma tendência humana para o conflito e desintegração. Estas
excitações internas destrutivas, também nomeada como masoquismo, podem voltam-se
para o externo secundariamente em forma de sadismo.
Portanto, nascemos com um “masoquismo inato”, o
que significa obter prazer é quão doloroso que seria primário. E em um segundo
momento o masoquismo poderia chegar a tornar-se sadismo. Para Freud, como
resultado de constitucional ou herdado, a pessoa nasce com quantidades
particulares desta energia instintiva. A diferença de grau é o que determina a
patologia e a capacidade de conviver mais ou menos com o conflito. Quanto maior
o instinto de morte, mais intensifica-se a compulsão por repetição e
desequilíbrio emocional.
” ... Ainda outros dois textos de Freud são bastante pontuais na tentativa de elucidar o masoquismo. Um deles é “Uma Criança é Espancada” (1919), no qual, segundo Ferraz (2008), entende-se “o masoquismo como transformação inconsciente do desejo infantil de ser amado e cuidado, manipulado fisicamente. Tratar-se-ia da permanência em uma posição erótica infantil diante do objeto adulto. ” O masoquismo é aqui entendido como uma fixação na infância e na fantasia infantil de ser espancado. Freud (1919) traz essas fantasias como uma perversão infantil que pode não persistir pela vida toda, podendo ser transformada através da repressão ou da sublimação. Porém “se esses processos não ocorrem, a perversão persiste até a maturidade; e sempre que encontramos uma aberração sexual em adultos – perversão, fetichismo, inversão – temos motivos para esperar que a investigação anamnésica revele um evento como o que sugeri, que conduza a uma fixação na infância”. (p. 228). A Perversão, portanto, remete a sexualidade infantil. ”
https://www.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php?title=De_Sacher-Masoch_ao_Masoquismo
Assim, para Freud o homem nasce com instintos de
vida e morte. O transcorrer das construções vinculares, ao longo da vida podem
condicionar o sujeito a apaixonar-se e reproduzir; a morte que se opõe à vida, requerendo
a sua dissolução. Vale salientar que se trata de um processo silencioso. Os instintos
de vida e morte mesclados na psique, quando se fragmentam perde o seu carácter
de estabilização. Podendo resultar em disfunções patológicas, havendo um
aumento da quantidade de força destrutiva no interior do corpo.
Para compreender esta simbologia precisamos
considerar, do ponto de vista econômico. Onde uma força interna empurra para a
satisfação, podendo representar destruição ou reconstrução. Originalmente Freud
descreveu o instinto de morte como uma forma de compulsão à repetição. Essa
força interior leva os seres humanos a tropeçar na mesma pedra mil vezes. A
exemplo das relações humanas, nos apaixonamos por pessoas semelhantes, mesmo tendo
estas características e representações de erros ou percas decorridas em nossa
vida. Salientando que estas escolhas não significam que, caprichosamente o
sujeito almeja o sofrer. Devemos lembrar que estas forças internas são
inconscientes. Podendo o sujeito através
de uma intervenção terapêutica psicanalítica, elaborar, compreender e redefinir,
por meio da livre associação seus conflitos internos. Resignificando-os, isto
é, reeditando fatos e experiências vividos, voltando o seu olhar ao encontro de
si mesmo Self.
Em súmula, as pulsões são forças internas que
buscam satisfação, mas há algo além do princípio do prazer é a compulsão à
repetição. Para Freud, a pulsão de morte é clinicamente silenciosa; mas é
omissa quanto à ansiedade e dor que vem do desejo de viver. A dor é a vida. O esquecimento é a morte.
Por volta de 1930, Klein postulou que o
instinto de vida procura satisfazer as suas necessidades e isso requer um
objeto para ajudar a este propósito. Eros procura o amor em um objeto. A pulsão
de morte, é a força para acabar com a necessidade ou a percepção dela. Este último
se manifesta como destruidor, contra si mesmo, mas como todas as dores internas
é intolerável a nossa mente a projetamos no outro. Estes mecanismos de
pensamentos paranóicos vêm do pressuposto que o mundo e as pessoas querem nos
prejudicar: “Um mundo ameaçador e perigoso. ”
Uma maneira
para conter estes impulsos, que se encarregam da nossa destruição. Seria ao perceber
estes pensamentos, refletir, questionar e tentar compreender, reeditando-os em
um processo de autoanalise. Um exemplo para este caso seria: Uma mulher com
raiva porque seu dia de trabalho foi muito frustrante, em vez de projetar, ou
seja, esbravejar com seus filhos ou colegas, ela poderia dar-se a oportunidade
de parar um pouco, e levar um tempo refletindo os acontecimentos ao longo do
seu dia.
Pessoas que têm excedentes desta força
destrutiva, internalizam consigo desconfiança, medo, sentem-se perseguidos,
feridos e vítimas de suas circunstâncias. Externam também estes elementos,
mesclando-os com o instinto de vida, manifestando raiva e agressividade para
com o objeto. Ele também se revela como um elemento interno que pode ameaçar e
destruir a percepção de si mesmo e / ou objetos.
Observamos a presença destas duas pulsões na
natureza. A vida Eros à origem de todos os seres vivos: a chuva necessária para
o crescimento da planta, o vento para a dispersão de sementes e pólen, o sol essencial
para a fotossíntese. No entanto há elementos que parecem oferecer o antagônico:
a terra treme em lágrimas, o excesso desta afoga e sufoca tudo, tornados varrem
o que encontram em seu caminho; as doenças afligem os seres vivos. E o enigma
da morte, para a qual não encontramos alívio. Tudo isso nos traz de volta à
fragilidade dos mortais.
Nascemos impotentes acreditando que o trabalho
e a cultura podem nos salvar. Mas é contrário a força da natureza, que nos
deixa novamente no mesmo lugar de impotência com a qual nascemos.
Esta impotência inata, por vezes é tão dolorosa,
que para sobreviver é preciso enfrentá-la com fantasias omnipotentes e
pensamentos que servem para que o nosso eu possa desenvolver-se. Em um processo
evolutivo que leva a criança a perceber posteriormente que não é um
super-herói. Surgindo destes conflitos um colapso narcísico necessário para
adaptar-se ao mundo e conhecer as limitações que temos como seres humanos.
Quando este desenvolvimento não segue o seu
curso, para tolerância à frustração, continuamos a criar fantasias em nossas
mentes, um mundo inesgotável de recursos elaborados por nós, que por não causar
satisfação momentânea é descartado. Há muitos exemplos disso na cultura
pós-moderna, onde a família tem seus valores deturpados, vivencia-se uma
partilha de encargos de bens entre todos. Casais, jovens e crianças não tolerantes
a frustrações, com inflexibilidade em conviver com as diferenças, substituem ou
destituem de suas relações aqueles que se contrapõe aos seus desejos pessoais.
No entanto passar o sentimento de onipotência
faz do sujeito um ser imortal, infalível é parte do desenvolvimento dos seres
humanos, porém nem todos chegam a este nível de desenvolvimento. Portanto, eles
continuam destruindo a grama com os pés, matando animais sem consideração, o
desperdício de água entre outros. Porque eles têm o entendimento de que a
criança nasce como seres superiores na Terra e tudo é permitido. E o que as
crianças pensam é que a natureza é fonte inesgotável. Fundamentando-se na
concepção inata que a morte é dos outros, mas não de si mesmo. O que nos leva
aos atos sem avaliar as consequências.
Isso faz parte do instinto de morte que
juntamente com o instinto de vida nos atrai a negligenciar o que temos para
viver e para nós mesmos. Por isso, pensamos que o tempo, a vida, os recursos
emocionais e intelectuais que possuímos são infinitos. É um dado adquirido do
futuro, é um momento que muitos não podem sequer imaginar-se. Apesar de não
assumir a nossa perenidade e a importância de cuidar do outro como nosso único
legado, ou seja, como herança para as gerações futuras, vamos continuar a
destruir o mundo em torno de nós. No entanto, se pudéssemos perceber a passagem
do tempo, a deterioração gradual de nosso corpo, nossas habilidades, nossa
agilidade e inteligência, nós vincularíamos de forma diferente com os nossos
vizinhos (o outro).
Referências Bibliográficas:
FREUD, S.;
BREUER, L. (1893-1895). Estúdios sobre la histeria. Buenos Aires: Amorrortu,
1998. v. 2. (Sigmund Freud. Obras Completas).
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(1905). Três Ensaios sobre a teoria da sexualidade.
______. Obras psicológicas completas. Edição
Standard Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 7.
______. O futuro de uma ilusão.
______.
Obras completas de Sigmund Freud. Edição Standard Brasileira. Rio de Janeiro:
Imago, 1974. v. 21.
______. (1895). Projeto de uma Psicologia.
Notas críticas de Osmyr Faria Gabbi Jr. Rio de Janeiro: Imago, 1995.
______. Escritos sobre a Psicologia do
Inconsciente: obras psicológicas de Sigmund
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volume 1. Coordenação de tradução de Luiz Alberto Hanns. Rio de Janeiro: Imago,
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Editora. (Trabalho original publicado em 2000).
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PONTALIS, J. B. Vocabulário da Psicanálise. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes,
1995
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
ANÁLISE - “A menina que Chiava.” Maria de Lourdes Elias Pinheiro.
ANÁLISE
- APENDICE F – “A menina que Chiava.”Maria
de Lourdes Elias Pinheiro.
Por Alis Minervin.
O presente trabalho
busca traçar uma analogia do APENDICE
F – “A menina que Chiava” de Maria de Lourdes Elias Pinheiro. Debulhando-se a partir de um olhar psicanalítico
observando a estrutura do sujeito. Entretanto de forma concisa e breve.
ANÁLISE - I
Pontuações:
Olhar do profissional que acompanhou o
caso.
Uma criança de oito anos que iniciou o
tratamento em fevereiro/2000 aos sete anos, com frequência semanal e
assiduidade. Foi encaminhada por sua pediatra, com um bilhete: Percebi dados significativos
em sua história que parecem indicar conflitos emocionais. A asma brônquica não
sede com medicação.
Os
pais de Tais se casaram quando ainda eram adolescentes ( 17 e 18 anos) e ela
filha única. Aos três anos, seus pais se separaram ( por dois anos).
Neste período ela adoeceu..
O casamento dos pais foi retomado por ocasião
da morte de sua avó materna, com quem moravam anteriormente.
O pai também é asmático desde a adolescência,
quando seus próprios pais se separaram. Desde então, ele é o “filho que cuidou
da mãe”, também asmática. Segundo conta, ela morreu em decorrência disso,
“chiando” Tais era muito ligada a ela porque a mãe trabalhava o dia todo e, na
época de sua morte, “sentiu demais”, “chorou como adulto”, teve crises seguidas
de asma.
A mãe de Taís se diz muito angustiada com a
situação atual da filha, que a “impede” de retornar ao trabalho. Taís pede que
ela não saia de casa agarra-se nela, chorando e se a situação persistir e ela sai, Taís “passa mal chia dias seguidos,
não deixa ninguém dormir. “ O marido a culpa pelas “crises” da menina e não
acha que ela deve insistir em sair, nem trabalhar fora. Diz que “lugar de mãe
e em casa, com os filhos”. Ela trabalha
próximo a Belo horizonte, e acha que o seu salario é suficiente. Sai bem cedo,
e quando retorna quase sempre Tais já esta dormindo. Ele telefona para ela
cinco a seis vezes por dia e se demora um pouco mais ela se preocupa e telefona
para ele.
Atualmente o casal não tem se dado muito bem,
porque o pai de Tais chamou seu próprio pai para morar com eles alegando que
ele poderia ajudar financeiramente. A mãe quer se mudar quer que Tais tenha um
quarto só para ela , acha ruim que ela durma no quarto do casal (...tira a
liberdade”, aquestao da sexualidade do casal em jogo). Já nas entrevistas com
os pais, a angustia materna pode ser trabalhada, havendo uma “retificação subjetiva
“que a mãe se da conta de que se sente “aprisionada, sufocada pela situação”, e
que mais que Tais é o marido que a sufoca. Diz que ele é ciumento demais mas
não assume.”( noto que ele fica extremamente irritado com essa colocação e a nega veementemente. Há que dizer que ele
é negro, e ela faz um tipo mais mestiços, mais clara muito bonita.) A situação
entre as entrevistas é difícil porque o pai toma uma posição defensiva,
sente-se ameaçado. Pois isso num primeiro momento, trabalho com o discurso
(significante). Materno, remetendo-a as questões do seu “estar aprisionada”,
“sufocada”.
O pai de Tais se refere a chieira. Ele chia,
a mãe chiava; Tais também chia porque é coisa de família. Concordo com ele com
essa coisa de família não tem escolha se não chiar.
Venho atendendo aos pais em intervalos
variáveis, acompanhando o processo terapêutico de Tais. Seu pai continua
fechado ao processo, principalmente porque mudança vem ocorrendo fora do seu
controle – sua mulher voltou a trabalhar em horário integral; Tais esta muito
bem de saúde, há tempo tendo retirado qualquer medicação. Inclusive recomenda a ela que faca um
trabalho com um psicólogo para aprender a “chiar de outro jeito.”
Essa fragilidade da função paterna mais do
que o próprio pai – é o que vem sendo questão para Tais nesse momento de sua
analise, fazendo-a oscilar em suas escolhas identificatórias.
As principais características do caso
estudado:
OBS. 01
- Psicossomatização
- Asma brônquica; o ataque asmático constitui, na criança, perpetuando-se no inconsciente do adulto, uma reação ao perigo que representa a separação da mãe ou à perda real do amor materno.
↳ “A asma brônquica não sede com medicação”.
↕
↳ “ Separação dos pais aos 3 anos..”
↕
↳ OBS.: Pai de Tais iniciou suas crises (chiar) na adolescência após separação dos pais.
↕
↳ O qual ficou com responsabilidade dos cuidados com a mãe que também “chiava.”
↕
↳ Perda avó materna que durante todo dia cuidava dela. A mãe trabalhava o dia inteiro. Tais teve crises seguidas durante dias.
“Tais pede que ela não saia de casa agarra-se
nela, chorando e se a situação persistir e
ela sai, Taís “passa mal chia dias seguidos, não deixa ninguém dormir.
Ganho secundário Refere-se a benefícios que
um transtorno ou doença pode fornecer ao paciente que possa justificar o desejo
do paciente em continuar doente. Exemplos de benefícios comuns em continuar
doente são a maior atenção de amigos e parentes, a diminuição das
responsabilidades.
“Tais agora passa a chiar para mãe”.
OBS. 2
Após morte materna... “porque o pai de Tais
chamou seu próprio pai para morar com eles alegando que ele poderia ajudar
financeiramente”.
Mecanismo
de defesa racionalização:...alegando que ele poderia ajudar
financeiramente.
Substitui
objeto , por figura representativa: Após morte materna... “o pai de Tais chamou
seu próprio pai para morar com ele”.
MÃE ⍖ PAI
VÍNCULOS
Freud (1921/1996, p. 117) resume esse processo
dizendo que, [...] Primeiro, a identificação constitui a forma original de laço
emocional com um objeto; segundo, de maneira regressiva, ela se torna sucedâneo
para uma vinculação de objeto libidinal, por assim dizer, por meio de
introjeção do objeto no ego; e, terceiro, pode surgir com qualquer nova
percepção de uma qualidade comum partilhada com alguma outra pessoa que não é
objeto de instinto sexual. Quanto mais importante essa qualidade comum é, mais
bem sucedida pode tornar-se essa identificação parcial, podendo representar
assim o início de um novo laço.
Mecanismo
de defesa racionalização: Justificativa: ...alegando que ele poderia
ajudar financeiramente.
OBS. 3
Perigo
da cena primaria:
Trata-se da criança interpretação dada pela criança ao presenciar com uma relação sexual
parental. O caráter traumático dar-se pelo fato da mesma não ter condições de
codificar o que observa e ser levada a interpretar o evento como sendo de
caráter violento ou agressivo. Podendo acarretar problemas de ordem sexuais no
futuro.
Mencionado por mãe de Tais ...acha ruim que
ela durma no quarto do casal (...tira a liberdade”, a questão da sexualidade do
casal em jogo).
Pesadelo narrado por Tais: “As minhocas para
pescar do meu avô estavam crescendo, se transformando em monstros. Ou estava
andando no muro muito alto cheio de agua...Acho que alguém tinha morrido e o
fantasma tinha uma maquina para me encontrar...”
Sonho
simbolismo – Lembrança inconsciente da Cena primaria. Desejo
inconsciente pelo pai, “minhoca” – pode representar órgão genital masculino –
PAI.
“...Cheio de água...” – Remete a vida
uterina, representação materna, morte da mãe, esta representa ameaça ao amor do pai.
Relaciona-se ao complexo de édipo; fase no desenvolvimento infantil em que existe uma “disputa” entre a criança e o progenitor do mesmo sexo pelo amor do progenitor do sexo oposto.
...”O fantasma tinha uma maquina para entrar em mim...” Necessidade de aprovação paterna, chamar atenção para si. Também relacionado ao complexo de édipo.
OBS. 4
“Mãe de Tais - Sente “aprisionada, sufocada
pela situação”, e que mais que Tais é o marido que a sufoca. Diz que ele é
ciumento demais mas não assume.”( noto que ele fica extremamente irritado com
essa colocação e a nega veementemente.
Há que dizer que ele é negro, e ela faz um tipo mais mestiços, mais clara muito
bonita.)”
Tais ..”.Mas eu não quero ficar da cor dele
ainda bem que puxei a cor da minha mãe..”.
Sentimento
baixa auto estima paterna / Tais - Associa-se como foi trabalhado os
estímulos ao filho pelos pais na infância. Algumas características observadas:
Insegurança, comparações, baixa estima, medo, dificuldade de processar perdas,
necessidade de aprovação entre outros.
Uso
de alguns mecanismo de defesa do ego: “...Seu pai continua fechado ao processo”(Deslocamento)
“...principalmente porque mudança vem
ocorrendo fora do seu controle.”
OBS.5
Resignificar - Atribuir novo significado a acontecimentos através da mudança de sua visão de mundo. O significado de todo acontecimento depende do filtro pelo qual o vemos. Quando mudamos o filtro, mudamos o significado do acontecimento, e a isso se chama ressignificar, ou seja, modificar o filtro pelo qual uma pessoa percebe os acontecimentos a fim de alterar o significado desse acontecimento. quando o significado se modifica, as respostas e comportamentos da pessoa também se modificam.
Observou-se também que foi somatizado por Tais muito do adoecimento paterno (os vínculos). Ao ressignificar, reelaborar e compreender os fatos e traumas vivenciados. Taís sugere ao Pai :
“...chiar de outro jeito.” ( Buscar acompanhamento profissional).
Ressignificar: “Revivemos, repensamos e agora, ressignificamos. Damos nova cor ao que passou nova vida, novo significado, enfim. O medo transforma-se em coragem, a vontade de fugir em vontade de correr, a raiva em (novo) amor.” (http://cotidianoepsicologia.blogspot.com.br).
Temática do Seminário Psicossomatizacão.
As contribuições da psicanálise para a teoria psicossomática são valiosas, no sentido de que qualquer que seja o momento de sua elaboração, a teoria psicossomática permanece estreitamente ligada à psicopatologia e mais especificamente à noção de psiconeurose. Nesse contexto, podemos destacar a relevância dos benefícios que a visão psicossomática trouxe para a compreensão dos pacientes somatizadores. Auxiliando os profissionais das mais diversas áreas da saúde o entendimento da etiologia das doenças psicossomáticas, dos pacientes e das queixas trazidas pelos mesmos. O estudo mais moderno da psicossomática apresenta uma visão integrada, ou seja, um olhar voltado para o indivíduo e não á doença.
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