sábado, 11 de março de 2017

Psicanalise das Pulsões: O Sujeito e o Ecossistema.




Psicanalise das Pulsões: O Sujeito e o Ecossistema.

Por: Alis Minervin

O estudo pretende assim ser um contributivo para a evolução do conhecimento e tenta desvendar alguns questionamentos que cercam esse assunto. Tais como: A tendência dos seres humanos para a destruição é proporcional à sua inclinação para viver? Quais seriam as raízes desta força destrutiva? Seria está uma tendência adotada coletivamente ou há divergências?  Teria um caráter primário ou secundário? É próprio do ser humano ou foi assimilado?

Freud mestre da psicanálise, pensou o aparelho psíquico como um espaço virtual, o qual integra forças inconscientes internas que se opõem umas as outras. Definindo-os a princípio como instintos de vida ou Eros e instinto Morte ou Thanatos.

Integram-se ao Eros os instintos sexuais e de autopreservação tencionando a obtenção de prazer. Exemplos disso é o gáudio proporcionado ao alimentar-se, defecar, transar, beber, estar higienizado, beijos, carícias, sonhar entre outros. A psique segundo Freud é projetada para evitar a dor e buscar o prazer, de modo a atingir a homeostase ou equilíbrio entre corpo e mente). Observados como forças biológicas interna que nos leva a reproduzir e sobreviver.

Enquanto que a pulsão de morte, também chamado por Freud de tendência destrutiva é nutrida pela necessidade por repetir situações dolorosas.  
Sendo está avaliada como uma tendência humana para o conflito e desintegração. Estas excitações internas destrutivas, também nomeada como masoquismo, podem voltam-se para o externo secundariamente em forma de sadismo.

Portanto, nascemos com um “masoquismo inato”, o que significa obter prazer é quão doloroso que seria primário. E em um segundo momento o masoquismo poderia chegar a tornar-se sadismo. Para Freud, como resultado de constitucional ou herdado, a pessoa nasce com quantidades particulares desta energia instintiva. A diferença de grau é o que determina a patologia e a capacidade de conviver mais ou menos com o conflito. Quanto maior o instinto de morte, mais intensifica-se a compulsão por repetição e desequilíbrio emocional.


” ... Ainda outros dois textos de Freud são bastante pontuais na tentativa de elucidar o masoquismo. Um deles é “Uma Criança é Espancada” (1919), no qual, segundo Ferraz (2008), entende-se “o masoquismo como transformação inconsciente do desejo infantil de ser amado e cuidado, manipulado fisicamente. Tratar-se-ia da permanência em uma posição erótica infantil diante do objeto adulto. ” O masoquismo é aqui entendido como uma fixação na infância e na fantasia infantil de ser espancado. Freud (1919) traz essas fantasias como uma perversão infantil que pode não persistir pela vida toda, podendo ser transformada através da repressão ou da sublimação. Porém “se esses processos não ocorrem, a perversão persiste até a maturidade; e sempre que encontramos uma aberração sexual em adultos – perversão, fetichismo, inversão – temos motivos para esperar que a investigação anamnésica revele um evento como o que sugeri, que conduza a uma fixação na infância”. (p. 228). A Perversão, portanto, remete a sexualidade infantil. ” 

https://www.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php?title=De_Sacher-Masoch_ao_Masoquismo



Assim, para Freud o homem nasce com instintos de vida e morte. O transcorrer das construções vinculares, ao longo da vida podem condicionar o sujeito a apaixonar-se e reproduzir; a morte que se opõe à vida, requerendo a sua dissolução. Vale salientar que se trata de um processo silencioso. Os instintos de vida e morte mesclados na psique, quando se fragmentam perde o seu carácter de estabilização. Podendo resultar em disfunções patológicas, havendo um aumento da quantidade de força destrutiva no interior do corpo.

Para compreender esta simbologia precisamos considerar, do ponto de vista econômico. Onde uma força interna empurra para a satisfação, podendo representar destruição ou reconstrução. Originalmente Freud descreveu o instinto de morte como uma forma de compulsão à repetição. Essa força interior leva os seres humanos a tropeçar na mesma pedra mil vezes. A exemplo das relações humanas, nos apaixonamos por pessoas semelhantes, mesmo tendo estas características e representações de erros ou percas decorridas em nossa vida. Salientando que estas escolhas não significam que, caprichosamente o sujeito almeja o sofrer. Devemos lembrar que estas forças internas são inconscientes.  Podendo o sujeito através de uma intervenção terapêutica psicanalítica, elaborar, compreender e redefinir, por meio da livre associação seus conflitos internos. Resignificando-os, isto é, reeditando fatos e experiências vividos, voltando o seu olhar ao encontro de si mesmo Self.

Em súmula, as pulsões são forças internas que buscam satisfação, mas há algo além do princípio do prazer é a compulsão à repetição. Para Freud, a pulsão de morte é clinicamente silenciosa; mas é omissa quanto à ansiedade e dor que vem do desejo de viver. A dor é a vida. O esquecimento é a morte.

Por volta de 1930, Klein postulou que o instinto de vida procura satisfazer as suas necessidades e isso requer um objeto para ajudar a este propósito. Eros procura o amor em um objeto. A pulsão de morte, é a força para acabar com a necessidade ou a percepção dela. Este último se manifesta como destruidor, contra si mesmo, mas como todas as dores internas é intolerável a nossa mente a projetamos no outro. Estes mecanismos de pensamentos paranóicos vêm do pressuposto que o mundo e as pessoas querem nos prejudicar: “Um mundo ameaçador e perigoso. ”

Uma maneira para conter estes impulsos, que se encarregam da nossa destruição. Seria ao perceber estes pensamentos, refletir, questionar e tentar compreender, reeditando-os em um processo de autoanalise. Um exemplo para este caso seria: Uma mulher com raiva porque seu dia de trabalho foi muito frustrante, em vez de projetar, ou seja, esbravejar com seus filhos ou colegas, ela poderia dar-se a oportunidade de parar um pouco, e levar um tempo refletindo os acontecimentos ao longo do seu dia.

Pessoas que têm excedentes desta força destrutiva, internalizam consigo desconfiança, medo, sentem-se perseguidos, feridos e vítimas de suas circunstâncias. Externam também estes elementos, mesclando-os com o instinto de vida, manifestando raiva e agressividade para com o objeto. Ele também se revela como um elemento interno que pode ameaçar e destruir a percepção de si mesmo e / ou objetos.

Observamos a presença destas duas pulsões na natureza. A vida Eros à origem de todos os seres vivos: a chuva necessária para o crescimento da planta, o vento para a dispersão de sementes e pólen, o sol essencial para a fotossíntese. No entanto há elementos que parecem oferecer o antagônico: a terra treme em lágrimas, o excesso desta afoga e sufoca tudo, tornados varrem o que encontram em seu caminho; as doenças afligem os seres vivos. E o enigma da morte, para a qual não encontramos alívio. Tudo isso nos traz de volta à fragilidade dos mortais.

Nascemos impotentes acreditando que o trabalho e a cultura podem nos salvar. Mas é contrário a força da natureza, que nos deixa novamente no mesmo lugar de impotência com a qual nascemos.

Esta impotência inata, por vezes é tão dolorosa, que para sobreviver é preciso enfrentá-la com fantasias omnipotentes e pensamentos que servem para que o nosso eu possa desenvolver-se. Em um processo evolutivo que leva a criança a perceber posteriormente que não é um super-herói. Surgindo destes conflitos um colapso narcísico necessário para adaptar-se ao mundo e conhecer as limitações que temos como seres humanos.

Quando este desenvolvimento não segue o seu curso, para tolerância à frustração, continuamos a criar fantasias em nossas mentes, um mundo inesgotável de recursos elaborados por nós, que por não causar satisfação momentânea é descartado. Há muitos exemplos disso na cultura pós-moderna, onde a família tem seus valores deturpados, vivencia-se uma partilha de encargos de bens entre todos. Casais, jovens e crianças não tolerantes a frustrações, com inflexibilidade em conviver com as diferenças, substituem ou destituem de suas relações aqueles que se contrapõe aos seus desejos pessoais.

No entanto passar o sentimento de onipotência faz do sujeito um ser imortal, infalível é parte do desenvolvimento dos seres humanos, porém nem todos chegam a este nível de desenvolvimento. Portanto, eles continuam destruindo a grama com os pés, matando animais sem consideração, o desperdício de água entre outros. Porque eles têm o entendimento de que a criança nasce como seres superiores na Terra e tudo é permitido. E o que as crianças pensam é que a natureza é fonte inesgotável. Fundamentando-se na concepção inata que a morte é dos outros, mas não de si mesmo. O que nos leva aos atos sem avaliar as consequências.

Isso faz parte do instinto de morte que juntamente com o instinto de vida nos atrai a negligenciar o que temos para viver e para nós mesmos. Por isso, pensamos que o tempo, a vida, os recursos emocionais e intelectuais que possuímos são infinitos. É um dado adquirido do futuro, é um momento que muitos não podem sequer imaginar-se. Apesar de não assumir a nossa perenidade e a importância de cuidar do outro como nosso único legado, ou seja, como herança para as gerações futuras, vamos continuar a destruir o mundo em torno de nós. No entanto, se pudéssemos perceber a passagem do tempo, a deterioração gradual de nosso corpo, nossas habilidades, nossa agilidade e inteligência, nós vincularíamos de forma diferente com os nossos vizinhos (o outro).



Referências Bibliográficas:

FREUD, S.; BREUER, L. (1893-1895). Estúdios sobre la histeria. Buenos Aires: Amorrortu, 1998. v. 2. (Sigmund Freud. Obras Completas).
FREUD, S. (1905). Três Ensaios sobre a teoria da sexualidade. 
______. Obras psicológicas completas. Edição Standard Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1996. v. 7.
______. O futuro de uma ilusão.
 ______. Obras completas de Sigmund Freud. Edição Standard Brasileira. Rio de Janeiro: Imago, 1974. v. 21.
______. (1895). Projeto de uma Psicologia. Notas críticas de Osmyr Faria Gabbi Jr. Rio de Janeiro: Imago, 1995.
______. Escritos sobre a Psicologia do Inconsciente: obras psicológicas de Sigmund
FREUD – volume 1. Coordenação de tradução de Luiz Alberto Hanns. Rio de Janeiro: Imago, 2004.
Freud, S. (1969). Sobre o narcisismo: Uma introdução. In J. Strachey (Ed. e J. Salomão, Trad.) Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud (Vol. 14, pp. 77-108). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1914)
FREUD, S. (2004). Pulsões e destinos da pulsão. In L. A. Hanns (Ed. e Trad.)  Obras Psicológicas de Sigmund Freud:Escritos sobre a psicologia do inconsciente (Vol. 1, pp. 133-173.). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1915).
FREUD, S. (2006). Além do princípio de prazer. In L. A. Hanns (Ed. e Trad.).  Obras Psicológicas de Sigmund Freud:Escritos sobre a psicologia do inconsciente (Vol. 2, pp. 123-198). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1920).
FREUD, S. (2007). O problema econômico do masoquismo. In L. A. Hanns (Ed. e Trad.).  Obras Psicológicas de Sigmund Freud: Escritos sobre a psicologia do inconsciente (Vol. 3, pp. 103-124). Rio de Janeiro: Imago. (Original publicado em 1924).
LAPLANCHE, J.  (2000). Pulsão e instinto: oposições, apoios e entrelaçamentos. In Cardoso, M. R. (Org. e P. H. B. Rondon, Trad.). Adolescência: reflexões psicanalíticas (pp. 13-28). Rio de Janeiro: Nau Editora. (Trabalho original publicado em 2000). 

LAPLANCHE, J.; PONTALIS, J. B. Vocabulário da Psicanálise. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1995

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

ANÁLISE - “A menina que Chiava.” Maria de Lourdes Elias Pinheiro.

ANÁLISE -  APENDICE F – “A menina que Chiava.”Maria de Lourdes Elias Pinheiro.

                                                                       Por Alis Minervin.

O presente trabalho busca traçar uma analogia do APENDICE F – “A menina que Chiava” de Maria de Lourdes Elias Pinheiro. Debulhando-se a partir de um olhar psicanalítico observando a estrutura do sujeito. Entretanto de forma concisa e breve. 

ANÁLISE - I

 Pontuações:  Olhar do profissional que acompanhou o caso.

 Uma criança de oito anos que iniciou o tratamento em fevereiro/2000 aos sete anos, com frequência semanal e assiduidade. Foi encaminhada por sua pediatra, com um bilhete: Percebi dados significativos em sua história que parecem indicar conflitos emocionais. A asma brônquica não sede com medicação.
Os pais de Tais se casaram quando ainda eram adolescentes ( 17 e 18 anos) e ela filha única. Aos três anos, seus pais se separaram ( por dois anos). Neste período ela adoeceu..
O casamento dos pais foi retomado por ocasião da morte de sua avó materna, com quem moravam anteriormente.
O pai também é asmático desde a adolescência, quando seus próprios pais se separaram. Desde então, ele é o “filho que cuidou da mãe”, também asmática. Segundo conta, ela morreu em decorrência disso, “chiando” Tais era muito ligada a ela porque a mãe trabalhava o dia todo e, na época de sua morte, “sentiu demais”, “chorou como adulto”, teve crises seguidas de asma.
A mãe de Taís se diz muito angustiada com a situação atual da filha, que a “impede” de retornar ao trabalho. Taís pede que ela não saia de casa agarra-se nela, chorando e se a situação persistir e  ela sai, Taís “passa mal chia dias seguidos, não deixa ninguém dormir. “ O marido a culpa pelas “crises” da menina e não acha que ela deve insistir em sair, nem trabalhar fora. Diz que “lugar de mãe e  em casa, com os filhos”. Ela trabalha próximo a Belo horizonte, e acha que o seu salario é suficiente. Sai bem cedo, e quando retorna quase sempre Tais já esta dormindo. Ele telefona para ela cinco a seis vezes por dia e se demora um pouco mais ela se preocupa e telefona para ele.
Atualmente o casal não tem se dado muito bem, porque o pai de Tais chamou seu próprio pai para morar com eles alegando que ele poderia ajudar financeiramente. A mãe quer se mudar quer que Tais tenha um quarto só para ela , acha ruim que ela durma no quarto do casal (...tira a liberdade”, aquestao da sexualidade do casal em jogo). Já nas entrevistas com os pais, a angustia materna pode ser trabalhada, havendo uma “retificação subjetiva “que a mãe se da conta de que se sente “aprisionada, sufocada pela situação”, e que mais que Tais é o marido que a sufoca. Diz que ele é ciumento demais mas não assume.”( noto que ele fica extremamente irritado com essa colocação  e a nega veementemente. Há que dizer que ele é negro, e ela faz um tipo mais mestiços, mais clara muito bonita.) A situação entre as entrevistas é difícil porque o pai toma uma posição defensiva, sente-se ameaçado. Pois isso num primeiro momento, trabalho com o discurso (significante). Materno, remetendo-a as questões do seu “estar aprisionada”, “sufocada”.
O pai de Tais se refere a chieira. Ele chia, a mãe chiava; Tais também chia porque é coisa de família. Concordo com ele com essa coisa de família não tem escolha se não chiar.
Venho atendendo aos pais em intervalos variáveis, acompanhando o processo terapêutico de Tais. Seu pai continua fechado ao processo, principalmente porque mudança vem ocorrendo fora do seu controle – sua mulher voltou a trabalhar em horário integral; Tais esta muito bem de saúde, há tempo tendo retirado qualquer medicação.  Inclusive recomenda a ela que faca um trabalho com um psicólogo para aprender a “chiar de outro jeito.”
Essa fragilidade da função paterna mais do que o próprio pai – é o que vem sendo questão para Tais nesse momento de sua analise, fazendo-a oscilar em suas escolhas identificatórias.

As principais características do caso estudado:

OBS.  01
- Psicossomatização   - Asma brônquica;  o ataque asmático constitui, na criança, perpetuando-se no inconsciente do adulto, uma reação ao perigo que representa a separação da mãe ou à perda real do amor materno.

↳ “A asma brônquica não sede com medicação”.
↳ “ Separação dos pais aos 3 anos..”
↳ OBS.: Pai de Tais iniciou suas crises (chiar) na adolescência após separação dos pais. 
↳ O qual ficou com responsabilidade dos cuidados com a mãe que também “chiava.”
↳ Perda avó materna que durante todo dia cuidava dela. A mãe trabalhava o dia inteiro. Tais teve crises seguidas durante dias. 

“Tais pede que ela não saia de casa agarra-se nela, chorando e se a situação persistir e  ela sai, Taís “passa mal chia dias seguidos, não deixa ninguém dormir.

Ganho secundário Refere-se a benefícios que um transtorno ou doença pode fornecer ao paciente que possa justificar o desejo do paciente em continuar doente. Exemplos de benefícios comuns em continuar doente são a maior atenção de amigos e parentes, a diminuição das responsabilidades. 

“Tais agora  passa a chiar para mãe”.

OBS. 2
Após morte materna... “porque o pai de Tais chamou seu próprio pai para morar com eles alegando que ele poderia ajudar financeiramente”.
Mecanismo de defesa racionalização:...alegando que ele poderia ajudar financeiramente.
Substitui objeto , por figura representativa: Após morte materna... “o pai de Tais chamou seu próprio pai para morar com ele”.

                 MÃE   ⍖   PAI

                  VÍNCULOS

 Freud (1921/1996, p. 117) resume esse processo dizendo que, [...] Primeiro, a identificação constitui a forma original de laço emocional com um objeto; segundo, de maneira regressiva, ela se torna sucedâneo para uma vinculação de objeto libidinal, por assim dizer, por meio de introjeção do objeto no ego; e, terceiro, pode surgir com qualquer nova percepção de uma qualidade comum partilhada com alguma outra pessoa que não é objeto de instinto sexual. Quanto mais importante essa qualidade comum é, mais bem sucedida pode tornar-se essa identificação parcial, podendo representar assim o início de um novo laço.
Mecanismo de defesa racionalização: Justificativa: ...alegando que ele poderia ajudar financeiramente.

OBS. 3
Perigo da  cena primaria: Trata-se da criança interpretação dada pela criança  ao presenciar com uma relação sexual parental. O caráter traumático dar-se pelo fato da mesma não ter condições de codificar o que observa e ser levada a interpretar o evento como sendo de caráter violento ou agressivo. Podendo acarretar problemas de ordem sexuais no futuro.
Mencionado por mãe de Tais ...acha ruim que ela durma no quarto do casal (...tira a liberdade”, a questão da sexualidade do casal em jogo).
Pesadelo narrado por Tais: “As minhocas para pescar do meu avô estavam crescendo, se transformando em monstros. Ou estava andando no muro muito alto cheio de agua...Acho que alguém tinha morrido e o fantasma tinha uma maquina para me encontrar...”
Sonho simbolismo – Lembrança inconsciente da Cena primaria. Desejo inconsciente pelo pai, “minhoca” – pode representar órgão genital masculino – PAI.
“...Cheio de água...” – Remete a vida uterina, representação materna, morte da mãe, esta  representa ameaça  ao amor do pai.
Relaciona-se ao complexo de édipo; fase no desenvolvimento infantil em que existe uma “disputa” entre a criança e o progenitor do mesmo sexo pelo amor do progenitor do sexo oposto.
...”O fantasma tinha uma maquina para entrar em mim...” Necessidade de aprovação paterna, chamar atenção para si. Também relacionado ao complexo de édipo. 


OBS. 4
“Mãe de Tais - Sente “aprisionada, sufocada pela situação”, e que mais que Tais é o marido que a sufoca. Diz que ele é ciumento demais mas não assume.”( noto que ele fica extremamente irritado com essa colocação  e a nega veementemente. Há que dizer que ele é negro, e ela faz um tipo mais mestiços, mais clara muito bonita.)”
Tais ..”.Mas eu não quero ficar da cor dele ainda bem que puxei a cor da minha mãe..”.
Sentimento baixa auto estima paterna / Tais - Associa-se como foi trabalhado os estímulos ao filho pelos pais na infância. Algumas características observadas: Insegurança, comparações, baixa estima, medo, dificuldade de processar perdas, necessidade de aprovação entre outros.
Uso de alguns mecanismo de defesa do ego: “...Seu pai continua fechado ao processo”(Deslocamento
“...principalmente porque mudança vem ocorrendo fora do seu controle.”

OBS.5
Resignificar - Atribuir novo significado a acontecimentos através da mudança de sua visão de mundo. O significado de todo acontecimento depende do filtro pelo qual o vemos. Quando mudamos o filtro, mudamos o significado do acontecimento, e a isso se chama ressignificar, ou seja, modificar o filtro pelo qual uma pessoa percebe os acontecimentos a fim de alterar o significado desse acontecimento. quando o significado se modifica, as respostas e comportamentos da pessoa também se modificam.
Observou-se também que foi somatizado por Tais  muito do adoecimento paterno (os vínculos). Ao ressignificar, reelaborar e compreender os fatos e traumas vivenciados. Taís sugere ao Pai :
 “...chiar de outro jeito.” ( Buscar acompanhamento profissional).

Ressignificar: “Revivemos, repensamos e agora, ressignificamos. Damos nova cor ao que passou nova vida, novo significado, enfim. O medo transforma-se em coragem, a vontade de fugir em vontade de correr, a raiva em (novo) amor.” (http://cotidianoepsicologia.blogspot.com.br).



         Temática do Seminário Psicossomatizacão. 

As contribuições da psicanálise para a teoria psicossomática são valiosas, no sentido de que qualquer que seja o momento de sua elaboração, a teoria psicossomática permanece estreitamente ligada à psicopatologia e mais especificamente à noção de psiconeurose. Nesse contexto, podemos destacar a relevância dos benefícios que a visão psicossomática trouxe para a compreensão dos pacientes somatizadores. Auxiliando os profissionais das mais diversas áreas da saúde o entendimento da etiologia das doenças psicossomáticas, dos pacientes e das queixas trazidas pelos mesmos. O estudo mais moderno da psicossomática apresenta uma visão integrada, ou seja, um olhar voltado para o indivíduo e não á doença.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Sugestão de Leitura - Livro: O amor que acende a lua. Rubem Alves


Trecho: A transformação pelo fogo.

A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens.  
O milho de pipoca não é o que deve ser. 
Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.
O milho somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. 
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. 
Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre.
Assim acontece com a gente. 

As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. 
Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
São pessoas de uma mesmice, uma dureza assombrosas. 
Só elas não percebem. 

Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas de repente, vem o fogo. 
O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos – Dor. 
Pode ser o fogo de fora:  perder um amor, um filho, um amigo ou o emprego. 
Pode ser o fogo de dentro:  pânico, medo, ansiedade, depressão, doenças e sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio, uma maneira de apagar o fogo. 
Sem fogo, o sofrimento diminui. 
E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pipoca dentro da panela, ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou:  vai morrer. 
Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não consegue imaginar destino diferente. 
Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. 
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. 
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece:  BUM! 
E ela aparece completamente diferente, como nunca havia sonhado.
Piruá é o milho que se recusa a estourar. 
São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. 
Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.  A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. 
O destino delas é triste. 
Ficarão duras a vida inteira. 
Não vão se transformar na flor branca e macia. 
Não vão dar alegria para ninguém. 
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada.
Seu destino é o lixo.
E você, o que é?
Uma pipoca estourada ou um piruá?
                                                      Livro: O amor que acende a lua. Por Rubem Alves.


Antes de “curar” alguém, pergunte se ele está disposto a desistir das coisas que o deixaram doente".

Mudanças exigem decisões difíceis, porém necessárias. Há situações que o sujeito demanda maior tempo até perceber o seu padecimento psíquico...