Alis
Tatiana Minervin
Sabemos que o abuso sexual,
principalmente relativo a crianças tem tido constante espaço em noticiários e
se tornando assim um grave problema social neste país e no mundo como um todo.
Nos Estados Unidos, o National Center
on Child Abuse Prevention Research estimou em 1992 que 20% das mulheres e 7%
dos homens americanos teriam sido vítimas, pelo menos uma vez, de abuso sexual
na infância (MARQUES, 1994).
Vários órgãos públicos
nacionais ou internacionais alertam, no entanto, que estes índices são frequentemente
subestimados e crescentes. Existe bastante evidência histórica de que o abuso
sexual de crianças tem sido em vários aspectos, uma característica de todas as
gerações e de cada cultura. Entretanto, foi somente a partir de meados deste
século, particularmente na última década, que a atenção do público em geral e
dos acadêmicos, em particular, se concentrou profundamente neste assunto.
No filme apresentado que é baseado
em fatos reais, dirigido por Donald Wrye mostra o drama real de três irmãs que foram
obrigadas a processar o próprio pai por abuso sexual, que aconteceu quando elas
ainda eram crianças. Já adultas é que o caso veio à tona, chocando a opinião
pública americana e do mundo inteiro.
O abuso sexual aparece como uma forma
específica de violência contra a criança, que diz respeito ao envolvimento
desta em atividades sexuais que violam tabus sociais e de papéis familiares, e
às quais não são capazes de dar um consentimento maduro (FURNISS, 1993).
O que foi mostrado no filme
parece hoje ser um assunto mais comum do que se possa imaginar, já que ele está
relacionado aos indicadores físicos, comportamentais e psicológicos
apresentados pelas crianças abusadas. O termo “abuso sexual” como a própria
palavra demonstra, apresenta indicadores que são apenas sinais de alerta para a
possibilidade de abuso sexual infantil.
Desta forma, ao pensar no
que as meninas, hoje mulheres, que são mostradas no filme, fazem parte de
atuais dados, a probabilidade de abuso sexual deve ser avaliada diante de uma
série de técnicas que podem incluir entrevistas clínicas com a criança e
membros da família, observações sobre a brincadeira da criança, o uso de
desenhos e outras técnicas projetivas e observações das interações da família.
A violência sexual contra a criança
ocorre em todos os grupos sociais e em toda a estrutura de classes. Entre os
ricos a violência contra a criança é ocultada para proteger a família, o
agressor ou a criança de efeitos estigmatizantes. Entre os pobres o abuso
permanece pouco visível porque famílias de classe baixa normalmente não esperam
ajuda da polícia ou das instituições sociais e não notificam a violência (AZEVEDO
E GUERRA, 1993).
Neste filme, que também tem
uma versão em documentário que pode ser encontrado no Youtube, é possível observar
que ele é contado através de flashbacks, mostrando o drama das três irmãs foram
abusadas sexualmente pelo próprio pai por abuso sexual, cometido quando ainda
eram crianças.
Geralmente, o abuso sexual cometido
em crianças fica cercado por silêncio, tendo em vista que este é um ato que
envolve medo, vergonha, culpa, e que lida com alguns tabus culturais, já que
envolve sexo com crianças, e aspectos das relações de interdependência. O
silêncio pode ser compreendido como uma tentativa de preservar o núcleo
familiar, evitando dar-se conta da contradição existente entre o papel de
proteção esperado da família e a violência que nela se dá.
Ao compararmos com a maioria
das crianças, as vítimas de abuso sexual mediante incesto, podem apresentar um
comportamento exageradamente submisso, que sempre vem acompanhado de uma alta
dose de insegurança. Estas crianças têm cada aspecto de suas vidas frequentemente
manipulado. Elas não têm controle sobre o que acontece com seus corpos e
possivelmente pouca escolha nos acontecimentos diários, como por exemplo
escolher seus amigos. O resultado desta situação é uma incapacidade crescente
de tomar o controle de vários aspectos de suas vidas.
No caso das três meninas do
filme, elas cresceram e conseguiram justiça, se tornando mulheres fortes e que
mesmo com traumas, conseguiram superar a vida.
REFERÊNCIAS
AZEVEDO, M.A. & GUERRA, V. (org.) Crianças Vitimizadas: a síndrome do
pequeno poder. São Paulo: Iglu, 1989. Disponível em:
<http://www.adriananunan.com/pdf/adriananunancom_abuso_sexual.pdf> Acesso
em 02 nov. 2013.
FURNISS, T. Abuso Sexual da Criança – uma abordagem multidisciplinar. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1993. Disponível em:
<http://www.adriananunan.com/pdf/adriananunancom_abuso_sexual.pdf> Acesso
em 02 nov. 2013.
MARQUES, M.A.B.. Violência doméstica contra crianças e adolescentes. Petrópolis:
Vozes, 1994. Disponível em: <http://www.adriananunan.com/pdf/adriananunancom_abuso_sexual.pdf>
Acesso em 02 nov. 2013.