O estudo pretende assim ser um contributivo para a evolução do
conhecimento e tenta desvendar alguns
questionamentos que cercam esse assunto. Tais como: A tendência
dos seres humanos para a destruição é proporcional à sua inclinação para viver?
Quais seriam as raízes desta força destrutiva? Seria está uma tendência adotada
coletivamente ou há divergências? Teria
um caráter primário ou secundário? É próprio do ser humano ou foi assimilado?
Freud mestre da psicanálise, pensou o aparelho
psíquico como um espaço virtual, o qual integra forças inconscientes internas
que se opõem umas as outras. Definindo-os a princípio como instintos de vida ou
Eros e instinto Morte ou Thanatos.
Integram-se ao Eros os instintos sexuais e de autopreservação
tencionando a obtenção de prazer. Exemplos disso é o gáudio proporcionado ao alimentar-se,
defecar, transar, beber, estar higienizado, beijos, carícias, sonhar entre outros.
A psique segundo Freud é projetada para evitar a dor e buscar o prazer, de modo
a atingir a homeostase ou equilíbrio entre corpo e mente). Observados como
forças biológicas interna que nos leva a reproduzir e sobreviver.
Enquanto que a pulsão de morte, também chamado
por Freud de tendência destrutiva é nutrida pela necessidade por repetir
situações dolorosas.
Sendo
está avaliada como uma tendência humana para o conflito e desintegração. Estas
excitações internas destrutivas, também nomeada como masoquismo, podem voltam-se
para o externo secundariamente em forma de sadismo.
Portanto, nascemos com um “masoquismo inato”, o
que significa obter prazer é quão doloroso que seria primário. E em um segundo
momento o masoquismo poderia chegar a tornar-se sadismo. Para Freud, como
resultado de constitucional ou herdado, a pessoa nasce com quantidades
particulares desta energia instintiva. A diferença de grau é o que determina a
patologia e a capacidade de conviver mais ou menos com o conflito. Quanto maior
o instinto de morte, mais intensifica-se a compulsão por repetição e
desequilíbrio emocional.
” ... Ainda outros dois textos de Freud são bastante pontuais na tentativa de elucidar o masoquismo. Um deles é “Uma Criança é Espancada” (1919), no qual, segundo Ferraz (2008), entende-se “o masoquismo como transformação inconsciente do desejo infantil de ser amado e cuidado, manipulado fisicamente. Tratar-se-ia da permanência em uma posição erótica infantil diante do objeto adulto. ” O masoquismo é aqui entendido como uma fixação na infância e na fantasia infantil de ser espancado. Freud (1919) traz essas fantasias como uma perversão infantil que pode não persistir pela vida toda, podendo ser transformada através da repressão ou da sublimação. Porém “se esses processos não ocorrem, a perversão persiste até a maturidade; e sempre que encontramos uma aberração sexual em adultos – perversão, fetichismo, inversão – temos motivos para esperar que a investigação anamnésica revele um evento como o que sugeri, que conduza a uma fixação na infância”. (p. 228). A Perversão, portanto, remete a sexualidade infantil. ”
https://www.ufrgs.br/psicopatologia/wiki/index.php?title=De_Sacher-Masoch_ao_Masoquismo
Assim, para Freud o homem nasce com instintos de
vida e morte. O transcorrer das construções vinculares, ao longo da vida podem
condicionar o sujeito a apaixonar-se e reproduzir; a morte que se opõe à vida, requerendo
a sua dissolução. Vale salientar que se trata de um processo silencioso. Os instintos
de vida e morte mesclados na psique, quando se fragmentam perde o seu carácter
de estabilização. Podendo resultar em disfunções patológicas, havendo um
aumento da quantidade de força destrutiva no interior do corpo.
Para compreender esta simbologia precisamos
considerar, do ponto de vista econômico. Onde uma força interna empurra para a
satisfação, podendo representar destruição ou reconstrução. Originalmente Freud
descreveu o instinto de morte como uma forma de compulsão à repetição. Essa
força interior leva os seres humanos a tropeçar na mesma pedra mil vezes. A
exemplo das relações humanas, nos apaixonamos por pessoas semelhantes, mesmo tendo
estas características e representações de erros ou percas decorridas em nossa
vida. Salientando que estas escolhas não significam que, caprichosamente o
sujeito almeja o sofrer. Devemos lembrar que estas forças internas são
inconscientes. Podendo o sujeito através
de uma intervenção terapêutica psicanalítica, elaborar, compreender e redefinir,
por meio da livre associação seus conflitos internos. Resignificando-os, isto
é, reeditando fatos e experiências vividos, voltando o seu olhar ao encontro de
si mesmo Self.
Em súmula, as pulsões são forças internas que
buscam satisfação, mas há algo além do princípio do prazer é a compulsão à
repetição. Para Freud, a pulsão de morte é clinicamente silenciosa; mas é
omissa quanto à ansiedade e dor que vem do desejo de viver. A dor é a vida. O esquecimento é a morte.
Por volta de 1930, Klein postulou que o
instinto de vida procura satisfazer as suas necessidades e isso requer um
objeto para ajudar a este propósito. Eros procura o amor em um objeto. A pulsão
de morte, é a força para acabar com a necessidade ou a percepção dela. Este último
se manifesta como destruidor, contra si mesmo, mas como todas as dores internas
é intolerável a nossa mente a projetamos no outro. Estes mecanismos de
pensamentos paranóicos vêm do pressuposto que o mundo e as pessoas querem nos
prejudicar: “Um mundo ameaçador e perigoso. ”
Uma maneira
para conter estes impulsos, que se encarregam da nossa destruição. Seria ao perceber
estes pensamentos, refletir, questionar e tentar compreender, reeditando-os em
um processo de autoanalise. Um exemplo para este caso seria: Uma mulher com
raiva porque seu dia de trabalho foi muito frustrante, em vez de projetar, ou
seja, esbravejar com seus filhos ou colegas, ela poderia dar-se a oportunidade
de parar um pouco, e levar um tempo refletindo os acontecimentos ao longo do
seu dia.
Pessoas que têm excedentes desta força
destrutiva, internalizam consigo desconfiança, medo, sentem-se perseguidos,
feridos e vítimas de suas circunstâncias. Externam também estes elementos,
mesclando-os com o instinto de vida, manifestando raiva e agressividade para
com o objeto. Ele também se revela como um elemento interno que pode ameaçar e
destruir a percepção de si mesmo e / ou objetos.
Observamos a presença destas duas pulsões na
natureza. A vida Eros à origem de todos os seres vivos: a chuva necessária para
o crescimento da planta, o vento para a dispersão de sementes e pólen, o sol essencial
para a fotossíntese. No entanto há elementos que parecem oferecer o antagônico:
a terra treme em lágrimas, o excesso desta afoga e sufoca tudo, tornados varrem
o que encontram em seu caminho; as doenças afligem os seres vivos. E o enigma
da morte, para a qual não encontramos alívio. Tudo isso nos traz de volta à
fragilidade dos mortais.
Nascemos impotentes acreditando que o trabalho
e a cultura podem nos salvar. Mas é contrário a força da natureza, que nos
deixa novamente no mesmo lugar de impotência com a qual nascemos.
Esta impotência inata, por vezes é tão dolorosa,
que para sobreviver é preciso enfrentá-la com fantasias omnipotentes e
pensamentos que servem para que o nosso eu possa desenvolver-se. Em um processo
evolutivo que leva a criança a perceber posteriormente que não é um
super-herói. Surgindo destes conflitos um colapso narcísico necessário para
adaptar-se ao mundo e conhecer as limitações que temos como seres humanos.
Quando este desenvolvimento não segue o seu
curso, para tolerância à frustração, continuamos a criar fantasias em nossas
mentes, um mundo inesgotável de recursos elaborados por nós, que por não causar
satisfação momentânea é descartado. Há muitos exemplos disso na cultura
pós-moderna, onde a família tem seus valores deturpados, vivencia-se uma
partilha de encargos de bens entre todos. Casais, jovens e crianças não tolerantes
a frustrações, com inflexibilidade em conviver com as diferenças, substituem ou
destituem de suas relações aqueles que se contrapõe aos seus desejos pessoais.
No entanto passar o sentimento de onipotência
faz do sujeito um ser imortal, infalível é parte do desenvolvimento dos seres
humanos, porém nem todos chegam a este nível de desenvolvimento. Portanto, eles
continuam destruindo a grama com os pés, matando animais sem consideração, o
desperdício de água entre outros. Porque eles têm o entendimento de que a
criança nasce como seres superiores na Terra e tudo é permitido. E o que as
crianças pensam é que a natureza é fonte inesgotável. Fundamentando-se na
concepção inata que a morte é dos outros, mas não de si mesmo. O que nos leva
aos atos sem avaliar as consequências.
Isso faz parte do instinto de morte que
juntamente com o instinto de vida nos atrai a negligenciar o que temos para
viver e para nós mesmos. Por isso, pensamos que o tempo, a vida, os recursos
emocionais e intelectuais que possuímos são infinitos. É um dado adquirido do
futuro, é um momento que muitos não podem sequer imaginar-se. Apesar de não
assumir a nossa perenidade e a importância de cuidar do outro como nosso único
legado, ou seja, como herança para as gerações futuras, vamos continuar a
destruir o mundo em torno de nós. No entanto, se pudéssemos perceber a passagem
do tempo, a deterioração gradual de nosso corpo, nossas habilidades, nossa
agilidade e inteligência, nós vincularíamos de forma diferente com os nossos
vizinhos (o outro).
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