segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

INTERPRETAÇÃO: SONHOS




Por: Alis Tatiana Minervino de Barros.

Este trabalho, pretende  analisar o sonho, principal agente do sono, buscando melhor compreender os motivos que fazem com que o mesmo seja relegado a segundo plano, ao esquecimento Partindo Freud do principio de que todo sonho tem um significado oculto e inconsciente. Este seria a realização de desejos reprimidos na vida de vigília.; associando-se também  a os nossos desejos mais primitivos vetados fortemente pelo superego. Interpretar um sonho significa conferir-lhe um sentido.

 O que antes, era interpretado como símbolos ou premonições agora é visto como particularidades de nosso inconsciente. Destaca-se ainda a importância dos sonhos na vida de qualquer indivíduo, assim como a influência que exerce sobre os mesmos, sua análise em terapia auxiliando o terapeuta durante o tratamento (SILVA & SANCHES, 2011).


Os sonhos seriam uma demonstração atual das realidades  do inconsciente. Sendo estudados corretamente poderá lavarmos a descoberta de  parte de nossas vivencias infantis traumáticas e geradoras de neuroses.

Segundo Silva e Sanches (2011), pode-se dizer que o marco da grande história de Sigmund Freud foi “A Interpretação dos Sonhos”, obra na qual antes não tinha grande importância para a ciência, e que logo após tal publicação ganhou de fato seu devido valor. Através destes estudos, foi possível trazer ao consciente os conteúdos inconscientes, onde o sonhar é um fenômeno regressivo; no qual nos devolve aos estados primitivos da infância.  (SILVA & SANCHES, 2011).


Em “A Interpretação dos Sonhos” Freud criou o termo conteúdo manifesto para referir-se à experiência consciente durante o sono, correspondendo ao relato ou descrição verbal do sonho, ou seja, aquilo que o sonhante diz lembrar. Já o conteúdo latente corresponde às ideias, impulsos, sentimentos reprimidos, pensamentos e desejos inconscientes que poderiam ameaçar a interrupção do sono se aflorassem à consciência claramente.


O conteúdo latente mostra-nos estruturas recalcadas que tentam emergir. O conteúdo latente é o verdadeiro sonho, o conteúdo manifesto é o que o sujeito conta, sendo um disfarce do verdadeiro sonho. O trabalho de sonho ou elaboração onírica é a passagem do latente ao manifesto. Basicamente podemos dizer que o conteúdo latente é inconsciente e o conteúdo manifesto é consciente. Além disso, o conteúdo latente é algo semelhante a um impulso, enquanto o conteúdo manifesto é uma imagem visual. Finalmente, o conteúdo manifesto é uma fantasia que simboliza o desejo ou impulso latente já satisfeito, isto é, trata-se de uma fantasia que consiste essencialmente na satisfação do desejo ou do impulso latente.(REIS,2009). 

O sonho possui características próprias, não podemos decidir o que sonhar, nem como sonhar, ou quando sonhar, assim como também não podemos alterar o enredo apresentado, quer gostemos dele ou não. Interpretar o significado do que foi sonhada, essa é a proposta do presente estudo. Os sonhos são compostos por conteúdos manifestos e conteúdos latentes, sendo os manifestos expressos de forma  consciente e os latentes  necessitam de interpretação.


INTERPRETAÇÃO DE UM SONHO.




O Conteúdo latente desta representação compõem parte de  vivências infantis de MA. Os conteúdos manifestos são experiências diárias  vivenciados no ambiente de trabalho (neste caso em especifico).

O sonho desenvolve-se em um local que remete a um ambiente de trabalho (atual) ou sala de aula (lembrança infantil). Antes de adentrarmos nesta sala, aguardamos sermos  convidados, este local seria uma espécie de recepção. Havia vários jovens neste ambiente e apenas uma senhora bastante irritada por não querer esperar. Somos (apenas os escolhidos) convidados a entrar em outra sala e chegando neste local,  direcionados por  um mestre a compor parte de um grupo.

Há varias pessoas neste interior, divididos nesta mesma formação. No centro desta sala percebo um grupo maior,  composto por pessoas que representam elementos da natureza ( sol, lua terra, pedra, chuva tempestade, ouro, água prata, luz, treva, vida, morte...) Formam-se sub grupos de estudos em volta deste maior. 

Somos orientados a desenvolver enumeras ações e partilhamos experiências sobre os diversos assuntos (contidos neste grupo maior e  central). A  medida que concluímos estes, somos avaliados e   direcionados a outros grupos ( como uma escala evolutiva em graus 1º,2º...). Estes pequenos grupos estão em círculos formados por quatro pessoas, distribuídos um de frente ao outro. Evoluímos sucessivamente até chegarmos ao último nível, quando nós é dito ciclo concluído.

O conteúdo manifesto x conteúdo latente do acima descrito, compõe imagens e representações de uma infância  repressora, rígida e punitiva. Cujo excesso de  cobranças por resultados culminaram em neuroses e consequentemente em um adulto inseguro, ansioso e com baixo auto estima  . Necessitando  de julgamento para certificar-se de que as atividades impostas a serem  executadas no dia-a-dia  foram atingidas.

Sentimento desencadeado, na fase adulta, ao sentir-se cobrado por seu chefe. Situação que  remeteu-lhe inconscientemente a figura da mãe repressora, ou seja, o chefe representava sua mãe.  Desencadeando um alto nível de stress e consequentemente ansiedade e angustia. O sonho foi a válvula de escape para este conteúdo latente.

Infância de MA -  Sempre cobrada em atingir metas e estar um primeiro lugar nas  atividades escolares, esportes, desfiles... na vida. Quando não correspondia era punida e xingada.

Resinificando – Hoje MA compreende que o desejo era de sua mãe. Esta utilizava-se de alguns mecanismos de defesa.

A Projeção – Atribuiu os próprios desejos e sentimentos a MA, visto que, possivelmente estes sentimentos internos eram intoleráveis e dolorosos. MA não poderia corresponder. Somos seres únicos e possuímos desejos distintos. 

Negação – Aceitar conscientemente que MA não é ela (mãe) a perturba. A genitora evita a percepção deste aspecto doloroso, porém real. Entre outros mecanismos utilizados.

MA através das analises e como psicanalista em formação compreende que a consciência  é um rio de múltiplas  facetas, o  qual se não bem elaborado e  trabalhado o seu destino final é  desaguar neste oceano que é o inconsciente. 

Sonhar permite que cada um e todos de nós sejamos loucos, silenciosamente e com segurança, cada noite de nossas vidas.”
(William C. Dement -
pesquisador de sono e sonhos).


REFERÊNCIAS

Blatt, S. J. (2008). Polarities of Experience: Relatedness and self-definition in personality development, psychopathology, and the therapeutic process. Washington DC, USA: American Psychological Association.

HALL, Calvin S.; LINDZEY, Gardner. Teorias da Personalidade. São Paulo: EPU, Ed. Da Universidade de São Paulo, 1973. p. 122.

O Homem e seus Símbolos. 22ª Impressão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.  p.39, 49, 51, 53, 94, 102, 238.

KOLODY, Helena. Viagem no Espelho e Vinte e um Poemas Inéditos. Pr: Criar Edições, 2001.  p.209.


SUGESTÃO LEITURA:







Antes de “curar” alguém, pergunte se ele está disposto a desistir das coisas que o deixaram doente".

Mudanças exigem decisões difíceis, porém necessárias. Há situações que o sujeito demanda maior tempo até perceber o seu padecimento psíquico...