Por: Alis
Tatiana Minervino de Barros.
Este
trabalho, pretende analisar o sonho,
principal agente do sono, buscando melhor compreender os motivos que fazem com
que o mesmo seja relegado a segundo plano, ao esquecimento Partindo Freud do
principio de que todo sonho tem um significado oculto e
inconsciente. Este seria a realização de desejos reprimidos na vida de
vigília.; associando-se também a os
nossos desejos mais primitivos vetados fortemente pelo superego. Interpretar um
sonho significa conferir-lhe um sentido.
O que antes, era interpretado como
símbolos ou premonições agora é visto como particularidades de nosso
inconsciente. Destaca-se ainda a importância dos sonhos na vida de qualquer
indivíduo, assim como a influência que exerce sobre os mesmos, sua análise em
terapia auxiliando o terapeuta durante o tratamento (SILVA & SANCHES,
2011).
Os sonhos seriam uma demonstração
atual das realidades do inconsciente.
Sendo estudados corretamente poderá lavarmos a descoberta de parte de nossas vivencias infantis
traumáticas e geradoras de neuroses.
Segundo Silva e Sanches (2011), pode-se dizer que o marco da
grande história de Sigmund Freud foi “A Interpretação dos Sonhos”, obra na
qual antes não tinha grande importância para a ciência, e que logo após tal
publicação ganhou de fato seu devido valor. Através destes estudos, foi
possível trazer ao consciente os conteúdos inconscientes, onde o sonhar é um
fenômeno regressivo; no qual nos devolve aos estados primitivos da
infância. (SILVA & SANCHES, 2011).
Em “A Interpretação dos Sonhos” Freud criou o termo conteúdo
manifesto para referir-se à experiência consciente durante o sono,
correspondendo ao relato ou descrição verbal do sonho, ou seja, aquilo que o sonhante
diz lembrar. Já o conteúdo latente corresponde às ideias, impulsos, sentimentos
reprimidos, pensamentos e desejos inconscientes que poderiam ameaçar a
interrupção do sono se aflorassem à consciência claramente.
O conteúdo latente mostra-nos estruturas recalcadas que
tentam emergir. O conteúdo latente é o verdadeiro sonho, o conteúdo manifesto é
o que o sujeito conta, sendo um disfarce do verdadeiro sonho. O trabalho de
sonho ou elaboração onírica é a passagem do latente ao manifesto. Basicamente podemos
dizer que o conteúdo latente é inconsciente e o conteúdo manifesto é
consciente. Além disso, o conteúdo latente é algo semelhante a um impulso,
enquanto o conteúdo manifesto é uma imagem visual. Finalmente, o conteúdo
manifesto é uma fantasia que simboliza o desejo ou impulso latente já
satisfeito, isto é, trata-se de uma fantasia que consiste essencialmente na
satisfação do desejo ou do impulso latente.(REIS,2009).
O sonho possui características próprias, não podemos
decidir o que sonhar, nem como sonhar, ou quando sonhar, assim como também não
podemos alterar o enredo apresentado, quer gostemos dele ou não.
Interpretar o significado do que foi sonhada, essa é a proposta do presente
estudo. Os sonhos são compostos por conteúdos manifestos e conteúdos latentes,
sendo os manifestos expressos de forma
consciente e os latentes
necessitam de interpretação.
INTERPRETAÇÃO
DE UM SONHO.
O
Conteúdo latente desta representação compõem parte de vivências infantis de MA. Os conteúdos
manifestos são experiências diárias
vivenciados no ambiente de trabalho (neste caso em especifico).
O
sonho desenvolve-se em um local que remete a um ambiente de trabalho (atual) ou
sala de aula (lembrança infantil). Antes de adentrarmos nesta sala, aguardamos
sermos convidados, este local seria uma
espécie de recepção. Havia vários jovens neste ambiente e apenas uma senhora
bastante irritada por não querer esperar. Somos (apenas os escolhidos)
convidados a entrar em outra sala e chegando neste local, direcionados por um mestre a compor parte de um grupo.
Há
varias pessoas neste interior, divididos nesta mesma formação. No centro desta
sala percebo um grupo maior, composto
por pessoas que representam elementos da natureza ( sol, lua terra, pedra,
chuva tempestade, ouro, água prata, luz, treva, vida, morte...) Formam-se sub
grupos de estudos em volta deste maior.
Somos orientados a desenvolver enumeras ações e partilhamos experiências sobre os diversos assuntos (contidos neste grupo maior e central). A medida que concluímos estes, somos avaliados e direcionados a outros grupos ( como uma escala evolutiva em graus 1º,2º...). Estes pequenos grupos estão em círculos formados por quatro pessoas, distribuídos um de frente ao outro. Evoluímos sucessivamente até chegarmos ao último nível, quando nós é dito ciclo concluído.
Somos orientados a desenvolver enumeras ações e partilhamos experiências sobre os diversos assuntos (contidos neste grupo maior e central). A medida que concluímos estes, somos avaliados e direcionados a outros grupos ( como uma escala evolutiva em graus 1º,2º...). Estes pequenos grupos estão em círculos formados por quatro pessoas, distribuídos um de frente ao outro. Evoluímos sucessivamente até chegarmos ao último nível, quando nós é dito ciclo concluído.
O
conteúdo manifesto x conteúdo latente do acima descrito, compõe
imagens e representações de uma infância
repressora, rígida e punitiva. Cujo excesso de cobranças por resultados culminaram em
neuroses e consequentemente em um adulto inseguro, ansioso e com baixo auto
estima . Necessitando de julgamento para certificar-se de que as
atividades impostas a serem executadas
no dia-a-dia foram atingidas.
Sentimento
desencadeado, na fase adulta, ao sentir-se cobrado por seu chefe. Situação
que remeteu-lhe inconscientemente a
figura da mãe repressora, ou seja, o chefe representava sua mãe. Desencadeando um alto nível de stress e
consequentemente ansiedade e angustia. O sonho foi a válvula de escape para este
conteúdo latente.
Infância de MA - Sempre cobrada em
atingir metas e estar um primeiro lugar nas
atividades escolares, esportes, desfiles... na vida. Quando não
correspondia era punida e xingada.
Resinificando –
Hoje MA compreende que o desejo era de sua mãe. Esta utilizava-se de alguns
mecanismos de defesa.
A
Projeção – Atribuiu os próprios desejos e sentimentos a MA, visto que,
possivelmente estes sentimentos internos eram intoleráveis e dolorosos. MA não
poderia corresponder. Somos seres únicos e possuímos desejos distintos.
Negação – Aceitar conscientemente que MA não é ela (mãe) a perturba. A genitora evita a percepção deste aspecto doloroso, porém real. Entre outros mecanismos utilizados.
Negação – Aceitar conscientemente que MA não é ela (mãe) a perturba. A genitora evita a percepção deste aspecto doloroso, porém real. Entre outros mecanismos utilizados.
MA
através das analises e como psicanalista em formação compreende que a
consciência é um rio de múltiplas facetas, o
qual se não bem elaborado e trabalhado
o seu destino final é desaguar neste
oceano que é o inconsciente.
“Sonhar permite que
cada um e todos de nós sejamos loucos, silenciosamente e com segurança, cada
noite de nossas vidas.”
(William C. Dement -
pesquisador de sono e sonhos).
REFERÊNCIAS
Blatt, S. J. (2008). Polarities of Experience:
Relatedness and self-definition in personality development, psychopathology,
and the therapeutic process. Washington DC, USA: American Psychological
Association.
HALL, Calvin S.;
LINDZEY, Gardner. Teorias da Personalidade.
São Paulo: EPU, Ed. Da Universidade de São Paulo, 1973. p. 122.
O Homem e seus Símbolos. 22ª Impressão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
2002. p.39, 49, 51, 53, 94, 102, 238.
KOLODY, Helena. Viagem no Espelho e Vinte e um Poemas Inéditos. Pr:
Criar Edições, 2001. p.209.
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